confissão———Alexandre Cruz

sou feito de pedra e pau da poeira que levanta sou da agua sou feito do fogo do sol que queima a terra quem vim sou folha sou arvore sou vento que estrala no abismo sou a cratera que nasce da terra seca sem agua nem planta mas com pés que pisam distancias

sou tijolo e areia concreto sou a chave que torce o ferro sou de ferro vim da maquina que faz sofrer doer sou feito de fibra cimento e aço sou feito de tudo e de tudo eu faço sou o grito calado o gemido escondido as muralhas gigantes que abafam a dor sou feito de hinos gritos sangue e suor sou a lagrima profunda que vem oriunda dos calos que ardem

sou o grito camponês sou a fala operaria o chora das mães que perdem seus filhos sou os filhos sem mães sou a dor de um homem que grita com fome sou a mulher que luta em busca de espaço sou o tempo que se faz fome e frio sou as crianças jogadas nas calçadas e meio fio

sou a educação que falta sou a comida sem ter sou o corpo sem saúde e uma criança sem lazer sou um sem terra sem teto desempregado me chamam de ladrão porque roubei para comer me chamam de arruaceiro porque ocupei pra não morrer me chamam de radical porque luto pelos meus direitos sou o campo sem vida sou a favela sem paz sou o planeta que viu sou essa pátria Brasil!

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3 comentários em “confissão———Alexandre Cruz

  1. Bela poesia uma pena nosso país não valorizar nossos poetas gastam milhões em novelas ruins mas um bom livro de poesia custa 6 reais é isso

    Curtido por 1 pessoa

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