recado——alexandre cruz

Cai/Vai/ Cantai e largai esse povo no tempo

Esqueça/Suma e desapareça

Desfaça essa crença que procura encontrar

Aguarde ao vez invés de outra vez no tempo voltar

Procrie o espaço/ Desfaça esse laço/ de forma cabresto no corpo espesso

Conheça/ Aqueça e não se esqueça que sua cabeça já foi coroada

Não pense no nada/ Relembre a vanguarda na longa jornada

Que te fez caminhar

Ajude o doente/ Te sana a mente e bem de repente irão te amar

Resgate a favela/ da senzala a cela/ Retire a fera e por essa janela

Apresente-a bela!

Acompanhe esse povo/ Que longe andou/ Mas ninguém o amou

Mas nem mesmo calou quando foram gritar

E não pense que seja igual a cereja

Ti dou meu recado/ vai ser tao amargo

Mas compensa lutar…


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pocoto——alexandre cruz

lá vem o pocotó, menino. vem descendo a ribanceira.

ele vem do Itororó! hoje é dia de feira!

olha o tomate. vai maxixe aí?

a dúzia é dois são dois por cinco…

como é que é, vai levar?

la vem o pocoto!

seu Zé também.

no alforje rapadura, na cintura uma peixeira.

é dia de feira!

D. Ana traz acarajé, Seu Mané cachaça boa…tem esteira de taboa

e rede pra descansar… descansar de que? ha ha ha !

olha o picolé, vai engraxar? -muito obrigado!

tem benzimento, tem raizada. muita conversa fiada

Antonio das Cotas ta desconfiado ta cuidando um namorico

Meirinha e Paulinho atrás dos caixotes agarradinhos

D. Preta sabe coisa ta dizendo ‘vai chover’ reumatismo não se engana!

já ta indo o pocoto!

chegou o entardecer, muita casca de banana e cachorro bandoleiro

é o fim… já se foi o pocoto…

nem me disse ‘inté’. mas semana que vem tem mais

eu vou voltar pra ver, me sentar aqui no cais, jamais vou esquecer

pocotó, pocotó, pocotó…

arte———-alexandre cruz

deixe de caso me conte uma prosa

te faço um verso em forma soneto

cantiga afinada cantada em coro poemas dos mares

marujos poetas

poesia cantada rimada em coco soneto dançante

zabumba meu boi

forro e catira provérbios impróprios versículos descrevem a arte no ar

mosaico prosaico tao bela pintura fartura de cores coloridos baloes

estatuas de pedras de cera e carvao

esculturas escondem verdadeiros sabores

um quadro quadrado retângulo comprido pintado num circulo em forma triangulo

a prosa encubada em estrofes abertas

sem ter oferendas copiam o refrao

parágrafos de cores poemas de formas estatuas de letras

a arte é assim!

na cabeça do louco a alma saltita vestido de xita

que usa e abusa em meio salao

o lápis que forma a forma da regra desprega o estandarte da porta bandeira

menino faz arte arteiro tambem

borda o oito pinta o sete vem bronca da mãe

na missa o sermão prejulga o coito padre afoito prejulga o julgar

a oração de arte serve porem o canto do galo serve tambem

criança no berço bolinha de gude

amem!

me amas——-alexandre cruz

Te fiz soluçar, me fizestes dançar
Te calo com um beijo, me valas também
Te conto um segredo, conheço os teus
Te levo aos céus, contigo ao inferno
Te banho o corpo, lavastes minha alma
Te pego no colo, deitastes comigo
Te amo na cama, nos amamos no chão
Te faço de flor, eu sou teu tapete
Te entrego meu corpo, sou todo de ti
Te roubo um beijo, me roubas a cena
Fazemos amor, orgasmo, orgasmo
Te amo, Te amo
Me amas, eu sei…

Protocolo———Alexandre Cruz


Na grota profunda se esconde os males
Nos vales prefeticos defumam os corpos
O copo de água te matas a sede
Barrigas famintas
Não mintas pra mim que eu posso saber de suas verdades
Covardes hipocritas atingem orgasmo com tuas desgraças
Te faça de tolo não deixes saber que tens o poder
Dever e direitos confundem ambos
São só protocolos
No colo de alguém encontras talvez um doce carinho
No ninho dormistes e sonhastes comigo
Singela manhã…